LABORATÓRIO DE COMUNICACAO E LINGUAGEM
Orientação: IVILISI SOAREAS DE OLIVEIRA
JUSTIFICATIVA
Crianças com qualquer deficiência,
assim como qualquer criança, sentem a necessidade e o desejo de interagir,
brincar, aprender, expressar seus sentimentos, trocar, tocar o mundo e ser
tocado por ele.
Primordial se faz conhecer de que forma
essas crianças conseguem interagir e se comunicar, quais os mecanismos que
utilizam, quais as experiências que possuem, a forma como pensam, sentem e
agem, para que possamos identificar
quais os desafios que teremos para desenvolver atividades que facilitem e
propiciem a comunicação e a linguagem.
Uma grande parte das crianças com
deficiência mental não conseguem expressar-se de forma a que o interlocutor
compreenda, de forma ampla e plena , o que, de fato, elas estão querendo
transmitir. Essa situação é angustiante para ambos e, muitas vezes, leva o
deficiente a se isolar, a não se sentir compreendido, a desistir da comunicação
que se torna tão difícil.
O laboratório ora proposto tem o
objetivo de transformar essa comunicação em algo mais lúdico, prazeroso e
eficaz.
METODOLOGIA
Nossa proposta metodológica é, através
da literatura infantil, aliar afetividade, imaginação, criatividade, olhar
crítico e cognição, tendo como ponto central desenvolver as habilidades
essenciais para uma inclusão, prioritariamente, afetiva.
As etapas que apresentaremos em nossa
oficina terão como ponto de partida O OUVIR, O FALAR E O SENTIR.
O aluno deverá compreender o que o facilitador
lhe contará de forma oral, podendo usar recursos audiovisuais, bonecos,
gravuras. Após este momento, faremos um debate sobre o que foi lido buscando
identificar quais são os desejos, ideias, o que compreendeu da história. Usaremos dinâmicas para que os alunos
expressem sua sensibilidade e experimentem sentimentos como saudade, raiva,
tristeza. Após esse momento, haverá uma livre expressão de todos os
participantes em que cada aluno deixará registrado da forma que melhor lhe
convier a sua conclusão sobre o tema da história apresentada, proporcionando
troca de experiência entre os alunos, suas famílias e as pessoas que tiverem
oportunidade de conhecer o processo.
Escolhemos livros de Ana Maria
Machado, Ruth Rocha e Monteiro Lobato. Dentre os clássicos infantis escolhemos
O Patinho Feio e Pinóquio.
PROGRAMA
LABORATORIO DE COMUNICACAO E LINGUAGEM
SEMANA
1
Quebra gelo para que todos os
participantes interajam entre si, caminhando, olhando nos olhos, tocando as mãos.
Dinâmica
Cada participante dará um passo a
frente e falará o seu nome e todo o grupo repetirá o nome na mesma entonação
com que o primeiro falou.
Formar quatro grupos de três alunos
para conversarem, falarem um pouco sobre o que gostam, o que fazem, o que os
deixam felizes, tristes. Registrarem o que é comum aos três em forma de
colagem (inventário da oficina).
Formar roda de conversa para que todos
se conheçam, troquem experiências, sensações, sentimentos por estarem
participando desse momento.
Cada participante escolherá um
companheiro para desenvolver uma atividade onde terão que entrar em consenso (
jogo, leitura, fantoches, contar história...)
Falar sobre o trabalho que iremos
desenvolver, apresentar todos os materiais com os quais iremos trabalhar
(livros, colagens, gravuras, audiovisuais, bonecos, fantasias, brinquedos)]
SEMANA
2
Nesta semana, iremos sensibilizar
todos os participantes a vivenciar sensações, sentimentos e dificuldades de
pessoas com outras deficiências.
Dinâmica
Serão trabalhadas situações em que os
alunos simulem diferentes tipos de deficiências, como a visual, auditiva e motora. Usaremos
cadeiras de rodas, bengalas, andadores, imobilização de uma das pernas ou
braços, venda para os olhos. Os participantes, sempre assistidos de perto pelo
facilitador, deverão tentar desenvolver atividades da vida diária como beber
água, ir ao banheiro, lavar as mãos, abrir portas e janelas, vestir um casaco,
comer com talheres.
Ao final de cada dia, roda de conversa
para avaliar quais foram as facilidades, as
dificuldades, as estratégias criadas para superar as dificuldades. Como
é o mundo do silêncio? Como é o mundo da escuridão? Como é o mundo do que não
entende muito bem o que é ensinado?
Fecharemos a semana com uma história
contada de uma forma mais difícil e rebuscada e depois de uma forma mais fácil
e acessível.
SEMANA
3
1º dia
Apresentar
a história “O Patinho Feio”
Leitura,
seguida de um momento de diálogo sobre os fatos que aconteceram. Aproveitar
esse momento para falar da importância do respeito a todas as diferenças (visto
na sema anterior) e a importância de nos amarmos na forma como cada um é.
Com a
ajuda dos alunos, fazer um cartaz com uma lista das palavras que mais marcaram
essa história, Em seguida, pedir que cada aluno pinte a palavra com giz de cera
com a cor que ele escolher.
2º dia
Idem com o
“Menino Alvoroçado”
Terminada
a leitura, conversar com os alunos sobre a história, que brincadeiras o menino
faz, quais eles gostam de brincar, quais não gostam, quais acham perigosas e os
motivos.
Experimentar
algumas brincadeiras do menino alvoroçado.
Trabalhar
limites.
LER A
POESIA
E a pipa,
quem fazia, era mesmo o menininho, pois ele havia aprendido a amarrar linha e
taquara, a colar papel de seda, e fazer com polvilho o grude para colar a pipa
triangular como o papai lhe ensinara, do jeito que havia aprendido com o pai e
o pai do pai do papai.
Mostrar a
pipa e pedir que os alunos identifiquem onde foram usadas as palavras como
taquara, polvilho, grude, triangular.
3º dia
Idem com o
livro “Pinóquio”
Apresentar
a história através de vídeo, seguido de um momento de conversa sobre os fatos
que aconteceram. Como é o Pinóquio? O que ele tem de boneco? O que ele tem de
menino? Em que situações o seu nariz cresce? Apenas quando ele mente? O que
vocês pensam sobre isso? É importante sempre dizer a verdade? Por quê? Já
imaginaram o que aconteceria se todas as vezes que mentíssemos o nosso nariz
crescesse? O que o Grilo Falante faz na
história?
Pedir que
se forme três grupos de quatro alunos para recontar a história com narizes
compridos criados por eles.
Trabalhar
diferenças, família, sentimento, respeito e ética.
4º dia
Idem com o
livro “Menina do Laço de Fita”
Começar
uma conversa com os alunos fazendo algumas perguntas como: Com quem a gente
parece? Todas as pessoas são iguas? Nossos cabelos são da mesma cor? E os
nossos olhos? E a nossa pele?
Mostrar a
capa do livro e perguntar: Quem será essa menina? Como ela é? Como ela parece
estar se sentindo? O que vocês podem me falar sobre essa menina pela gravura
que vocês estão vendo na capa?
Apresentar
a história através de leitura e colagens com a participação dos alunos.
Conversar
sobre valores como respeito, tanto por si mesmo como pelo outro, falar sobre a
beleza negra e o respeito às diferenças.
Terminar
com um painel de colagens com pessoas de todas as raças, biotipos, deficientes,
não deficientes. ( inventário)
5º dia
Idem com
alguns personagens de Monteiro Lobato, apresentando-os aos alunos, a saber:
EMÍLIA -
Uma boneca de pano feita pela tia Nastácia que tomou uma pílula falante e não
parava mais de falar, ela vira gente, inventa e conquista todo mundo.
VISCONDE
DE SABUGOSA - Feito de um sabugo de milho, é um homem sábio que usa uma cartola
e sabe tudinho sobre todas as coisas.
SACI - Um
jovem negro com apenas uma perna, usa gorro vermelho e cachimbo. É divertido,
brincalhão, esconde objetos.
DONA BENTA
- Avó de Pedrinho e Narizinho, é muito bondosa, paciente, inteligente e sabe
fazer muitas receitas gostosas.
Motivar a
todos a assistirem um episódio do sítio do pica pau amarelo em áudio visual.
Colocar a
música da Emília, e convidar para que todos dancem fazendo os movimentos
parecidos com o da Emília.
Conversar
sobre cada personagem apresentado e suas diferenças.
Terminar
com um café , broa de milho e outras delícias feitas por “Dona Benta”, onde
todos os participantes estarão fantasiados com o personagem que mais eles se
identificaram durante toda a oficina (Patinho Feio, Pinóquio, Emília, Saci,
Menina do Laço de Fita, Menino Amalucado, Visconde de Sabugosa, Cisne, Grilo
Falante, Fada, Caçador )
OBSERVAÇAO
As obras realizadas farão parte de uma
mostra de Comunicação e Linguagem ao
final do laboratório.


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